Notícias curtas sobre obras subterrâneas no Brasil e no mundo, com o comentário técnico de quem projeta e constrói túneis.
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TBM corta estacas sob viaduto de trem de alta velocidade e conclui trecho da Linha 15 de Hangzhou
A TBM Qinlong 31 concluiu em 12 de outubro o túnel esquerdo de 801,2 m entre as estações Longteng Street e Zhanjiaqiao Road. No caminho, ela cortou oito estacas-prancha sob um viaduto da ferrovia de alta velocidade Nanjing–Hangzhou, que seguiu em operação.
Em vez de remover os obstáculos antes da escavação, a equipe optou por cortá-los in situ com a própria máquina. Para isso, localizou cada estaca com precisão, otimizou os parâmetros da cabeça de corte e ajustou a velocidade de avanço. A travessia, concluída em julho, levou 18 dias e 69 anéis, sem interromper o tráfego ferroviário e com recalques dentro dos limites. O túnel paralelo, de 768,2 m, é escavado pela EPB Qinlong 32, de 6,47 m de diâmetro, que passou sob a ferrovia em setembro.
Fundações e estruturas enterradas no traçado são um problema recorrente em metrôs urbanos, inclusive no Brasil. A remoção prévia costuma exigir intervenções de superfície que, sob uma ferrovia em operação, seriam inviáveis ou muito caras. O corte direto pela TBM transfere o risco para o controle da escavação. No caso de Hangzhou, isso envolveu injeção sincronizada, ajustes no condicionamento do solo e monitoramento reforçado de recalques.

Estudo propõe ajuste na previsão de vibração por desmonte em cruzamentos de túneis
Pesquisa publicada na Scientific Reports, com dados do cruzamento de túneis de Caomaoshan, na ferrovia de alta velocidade Pequim–Zhangjiakou, mostra que a cavidade aberta pelo novo túnel desvia as ondas do desmonte e torna desigual a vibração na seção do túnel existente.
Os autores combinaram monitoramento de campo e simulação 3D e incluíram uma “distância mínima de difração” no cálculo da velocidade de pico de partícula (PPV). Com a equação USBM, o modelo ajustado chegou a R² entre 0,92 e 0,97 nas fases de aproximação, chegada e passagem da frente pelo cruzamento, ganhos de 6% a 23% sobre o modelo original. O artigo, de acesso aberto, foi aceito após revisão por pares e ainda pode receber edições antes da versão final.
Em escavações a fogo próximas a túneis em operação, o plano de fogo costuma ser calibrado pela distância direta e pela carga por espera. O estudo indica que esses dois parâmetros, isolados, podem não representar a vibração em toda a seção do túnel existente, o que tem reflexo na escolha dos pontos de instrumentação e na calibração local do plano de fogo em ampliações e túneis paralelos.



