Notícias curtas sobre obras subterrâneas no Brasil e no mundo, com o comentário técnico de quem projeta e constrói túneis.

CESP inspeciona túnel adutor da UHE Paraibuna com robôs subaquáticos, sem esvaziar a estrutura
A CESP realiza nos dias 15 e 16 de outubro a primeira inspeção do túnel adutor da Usina Hidrelétrica de Paraibuna feita com veículos subaquáticos operados remotamente (ROVs). O túnel, de cerca de 300 m, conduz a água do reservatório até o sistema de geração.
Dois ROVs com câmeras de alta definição e sonar fazem a vistoria com o túnel em carga, sem entrada de equipes e sem esvaziamento da estrutura. Para a operação, a usina interrompe a liberação de água para o Rio Paraíba do Sul por até quatro horas em cada madrugada, em alinhamento com a ANA e o ONS, com monitoramento da qualidade da água e da fauna aquática.
A inspeção convencional de túneis adutores exige o esvaziamento da estrutura, com parada de geração e trabalho em espaço confinado. Com ROVs equipados com sonar, é possível registrar a geometria interna e identificar desplacamentos, erosão do revestimento e detritos com o túnel em operação.
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Túnel duplo do Morro do Vieira, na BR-280, recebe contenções nos emboques e pavimento de concreto
As frentes estão concentradas na estabilização dos emboques, com chumbadores, tela metálica, concreto projetado e drenos horizontais profundos, e no pavimento rígido das duas galerias, de cerca de 1.040 m e 1.070 m.
As duas galerias vão separar os sentidos de tráfego. O túnel, de aproximadamente R$ 228 milhões, faz parte do Lote 2.2 da duplicação da BR-280, um trecho de 23,9 km com 82% de execução financeira e prazo contratual até dezembro de 2027.
Os emboques costumam ser o ponto geotecnicamente mais sensível de um túnel em encosta, pela baixa cobertura e pelo maciço mais alterado. A drenagem profunda, associada ao reforço com chumbadores e concreto projetado, responde ao papel da água na estabilidade dessas encostas. O pavimento rígido é uma escolha frequente em túneis pela durabilidade e pela menor necessidade de intervenção em ambiente confinado.

Iphan autoriza pesquisa arqueológica no Tramo IV do Metrô de Salvador, trecho de 1,1 km em túnel
Portaria publicada no DOU de 10 de outubro autoriza a pesquisa arqueológica na área das obras do Tramo IV da Linha 1, que liga a Lapa ao Campo Grande por cerca de 1,1 km em túnel.
A autorização vale por seis meses e prevê a execução do Programa de Gestão do Patrimônio Arqueológico durante as obras. Pesquisas anteriores já identificaram, perto do Largo do Campo Grande, um sítio com 235 objetos da segunda metade do século XIX. Em setembro, a escavação do poço da futura Estação Campo Grande havia chegado a cerca de 14 m, com mais 10 m previstos antes do início da escavação do túnel.
Em túneis sob centros históricos, o patrimônio pesa no projeto tanto quanto o maciço. No Tramo IV, uma exigência anterior do Iphan já levou à mudança de local da Estação Campo Grande para preservar bens tombados, como o Teatro Castro Alves. Os achados se concentram nas escavações a céu aberto, como poços e estações, que precisam de janelas de pesquisa compatíveis com o cronograma. No trecho em túnel, a atenção se volta ao controle de recalques sob as edificações antigas.



