O CBT promoveu, no dia 25 de junho, a 14ª edição do Ecos do WTC: encontro que reúne profissionais da delegação brasileira no World Tunnel Congress para compartilhar com a comunidade tuneleira do país o que foi discutido no evento. Desta vez, 15 integrantes estiveram presentes no auditório do Condomínio Villa Lobos Office Park, em São Paulo, para contar o que viveram no WTC 2026, realizado em maio, em Montreal, no Canadá.
O formato existe porque nem todos os engenheiros, geólogos e geotécnicos brasileiros têm condições de participar de um congresso internacional. “Essa ideia surgiu do entendimento de que nem sempre seria possível para todo o nosso corpo técnico brasileiro ter o recurso ou tempo necessário para ir a um país estrangeiro presenciar esses grandes eventos, onde várias discussões técnicas de altíssimo nível são discutidas”, explica Jean-Pierre Ciriades, presidente do CBT. “As pessoas que tinham a condição de ir ao Congresso, ao retornar, poder difundir, compartilhar e contar como foi essa experiência, quais são as grandes inovações, o que hoje está se falando em termos de estado da arte da indústria de túneis no mundo.”
Assista à entrevista com os participantes do evento:
O WTC 2026 aconteceu na cidade de Montreal, no Canadá, sob organização da ITA (International Tunnelling and Underground Space Association) em parceria com a Tunneling Association of Canada (TAC). O tema central (Connecting communities through underground infrastructure) pautou discussões entre engenheiros, projetistas, construtoras, fabricantes e fornecedores de todo o mundo.
Para Ciriades, o evento deste ano foi excepcional, e a presença brasileira, à altura.
“Foi um evento grandioso, foi um dos maiores congressos de túneis já realizados, talvez o maior em termos de quantidade de pessoas inscritas”, afirma. “A comitiva brasileira foi muito representativa. Tivemos vários participantes, ficamos muito contentes de que os nossos engenheiros, geólogos e geotécnicos conseguiram participar.”
A delegação não foi apenas como plateia. Houve apresentações técnicas, participação em painéis e circulação intensa entre as empresas expositoras, entre elas, representantes brasileiras que foram a Montreal para mostrar seu trabalho ao mundo.
Jean-Pierre Ciriades resume em uma frase o que o crescimento da comitiva brasileira no WTC já sinalizava: “É um momento de ouro para a nossa indústria.”
Nos últimos anos, a demanda por projetos e obras de túneis cresceu de forma consistente, puxada, em grande parte, pelas obras do metrô de São Paulo e, agora, pela perspectiva de expansão da malha ferroviária nacional. “A cada nova ferrovia implantada, com certeza surgirão muitos túneis, por conta de todas as restrições geométricas e as condições do nosso relevo”, observa.
No horizonte imediato, o presidente do CBT cita obras de porte: o Túnel Santos-Guarujá e o túnel imerso entre Itajaí e Navegantes. “Estamos com um portfólio gigantesco. As perspectivas são das melhores.”
A contrapartida desse crescimento é a pressão sobre os recursos humanos. “A gente está experimentando uma falta de profissionais para conseguir atender toda essa demanda”, reconhece Ciriades. “Já é conhecida a falta de engenheiros, não apenas no país, no mundo, mas em particular na indústria de túneis.”
Mesmo sem rivalizar com as tradições da China ou da Europa no setor, o Brasil tem, na avaliação do presidente do CBT, algo que não pode ser subestimado: “Um corpo técnico de engenharia e de geologia muito apurado, profissionais extremamente competentes.”
O Ecos do WTC 2026 contou com o patrocínio da Abyo TM e da CPB – Concreto Projetado do Brasil. As apresentações ficaram a cargo de dez profissionais da delegação brasileira: Mateus Campagnolo Agostini, Roberto Kochen, Fernando Hirata, Eloi Palma Filho, Gustavo Aguiar, Tiago Ern, Daniele Melo, Fernando Garrafa, Alex Gomes e Heinrich Heinz.
Confira as entrevistas com os patrocinadores do Ecos do WTC:
A 14ª edição do Ecos coincide com a 10ª edição do Tunnel Day, que também será realizada neste ano, em 4 de dezembro. “Cada vez mais a gente percebe que é um tipo de evento que tem sido demandado e tem tido uma grande procura pela nossa comunidade tuneleira aqui no Brasil”, conclui Jean-Pierre Ciriades.

